A metade de uma catraca de ônibus instalada com um sistema especial de molas para a movimentação de apenas um quarto de volta pode ser uma importante aliada na qualidade de vida no trabalho dos cobradores de ônibus. Isso é o que propõe o aluno do curso de engenharia mecânica da UFMG Igor Augusto Alves Batista, 20 anos, que desenvolveu o Projeto Catraca Não-Giratória e o apresentou nesta segunda-feira para diretores da BHTrans. A nova catraca utiliza o corpo e a base das roletas de quatro braços, porém com apenas dois braços, formando um "L". Na mudança, porém, a utilização por parte do passageiro continua a mesma. "Ele empurra a aba principal para passar e, em seguida, um sistema de molas puxa as abas para que retornem para a posição inicial, para o ingresso de um segundo passageiro", explica o estudante. O próximo passo é programar o sistema de bilhetagem eletrônica para esse tipo de catraca. "Assim vamos estar aptos a colocar o protótipo em teste", prevê. Para criar o projeto, o estudante afirma que partiu de uma prática bem simples: a observação. "Com as catracas atuais, o cobrador é obrigado a sentar-se de lado na cadeira, o que pode causar lesões e dores corporais", analisa o estudante. Igor acrescenta que conversou com muitos cobradores para saber se o problema era mesmo incômodo e todos confirmaram. A assessoria de imprensa da BHTrans informou que o projeto será analisado, masque só poderá ser implementado depois que ganhar algum tipo de certificação. "Vamos fazer um estudo para ver se a ideia pode facilitar a passagem de pessoas obesas", anuncia o inventor. Como a nova catraca não tem aba sobre o cobrador, é possível saber o quanto a área de passagem pode ser ampliada sem que duas pessoas passem ao mesmo tempo. Ainda de acordo com a assessoria da BHTrans, durante a apresentação, foram feitas simulações na utilização da catraca. O protótipo do equipamento foi instalado em um ônibus cedido pela Viação Euclásio, em Belo Horizonte, para apresentação na BHTrans. O gerente geral da viação Arnaldo Domingues Caldeira diz que os funcionários da empresa comentam que realmente é incômodo ficar com as pernas separadas o tempo todo. "Muitos cobradores já testaram a invenção e aprovaram, pois até o local de apoiar o pé pode ser aumentado", afirmou. Igor diz que no ano passado pôs em prática uma outra invenção sua: um bagageiro para PASSAGEIROS que precisam andar de ônibus em pé. "Está em testes em uma linha de BH. Não tive reclamação alguma de roubo", garante. |